Reanimação neonatal 2026: o que mudou nas diretrizes da SBP para a sala de parto
Por Mateus Cavarzan, médico. Publicado em . Conferido na fonte original em .
Em 12 de junho de 2026, o Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal da SBP publicou dois documentos novos, um para o recém-nascido de 34 semanas ou mais e outro para o de menos de 34 semanas. As mudanças mais cobradas em prova: no bebê sem boa vitalidade, estímulo tátil no dorso por cerca de 15 segundos ainda com o cordão intacto; ordenha de cordão como opção se ele não respirar (contraindicada abaixo de 28 semanas); alvos de SpO2 pré-ductal minuto a minuto; e, no prematuro de menos de 34 semanas, ventilação iniciada com oxigênio a 60%, e não mais a 30%.
Fora isso, a diretriz consolida o ventilador mecânico manual com peça T como equipamento preferido, aceita o videolaringoscópio, recomenda o detector colorimétrico de CO2, admite as duas técnicas de polegares na massagem cardíaca e insere o debriefing e os indicadores de qualidade no atendimento. Os flashcards cobrem o fluxo do termo e do prematuro, ventilação, intubação, massagem, medicações, ética e transporte.
Antes e agora
| Ponto | Diretrizes SBP 2022 | Diretrizes SBP 2026 |
|---|---|---|
| Estímulo tátil no RN sem boa vitalidade | Estímulo tátil delicado no dorso, no máximo duas vezes, antes do clampeamento imediato do cordão. | Estímulo tátil delicado no dorso, com movimentos circulares, por cerca de 15 segundos, antes de clampear. Se o RN respirar, clampear no mínimo 60 segundos após o nascimento; se não, clampear e levar à mesa. |
| Ordenha de cordão | Evidências insuficientes para recomendar a ordenha no RN de 34 semanas ou mais. | Opção quando o RN não respira após o estímulo tátil: comprimir cerca de 20 cm do cordão da placenta em direção ao RN ao longo de 2 segundos, repetir 3 vezes e clampear em menos de 60 segundos. Vale a partir de 28 semanas; contraindicada abaixo de 28 semanas. |
| Alvos de SpO2 pré-ductal | Até 5 minutos: 70 a 80%. De 5 a 10 minutos: 80 a 90%. Acima de 10 minutos: 85 a 95%. | 2 minutos: 65 a 70%. 3 minutos: 70 a 75%. 4 minutos: 75 a 80%. 5 minutos: 80 a 85%. 10 minutos: 85 a 95%. Iguais para o termo e o prematuro. |
| Oxigênio inicial na VPP do RN com menos de 34 semanas | Iniciar com O2 a 30%, titulando pela SpO2 pré-ductal. | Iniciar com O2 a 60%, titulando pela SpO2 pré-ductal (ajustes de 20% a cada 30 segundos, com blender). No RN de 34 semanas ou mais, segue ar ambiente. |
| Técnica da massagem cardíaca | Dois polegares sobrepostos; os justapostos aumentariam a chance de lesão de pulmões e fígado. | Dois polegares sobrepostos ou justapostos, no terço inferior do esterno; as duas técnicas podem ser usadas. Mantida a relação 3:1 (90 compressões e 30 ventilações por minuto). |
25 flashcards para revisar
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Preparo e vitalidade
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01
Quais são os três passos de preparo antes de todo nascimento nas diretrizes de 2026?
Anamnese materna para identificar fatores de risco, verificação do material com lista de checagem e briefing da equipe, reunião rápida para planejar ações, dividir funções e definir a liderança. Em todo parto deve haver pelo menos um profissional capaz de fazer os passos iniciais e a VPP com máscara, com responsabilidade exclusiva pelo RN. A sala de parto fica entre 23 e 25 °C.
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02
Como se define boa vitalidade ao nascer, e qual é a conduta no RN de 34 semanas ou mais com boa vitalidade?
Está respirando ou chorando e com tônus muscular em flexão, independentemente do aspecto do líquido amniótico. Nesse caso, clampear o cordão no mínimo 60 segundos após o nascimento, de preferência depois do início da respiração, e manter o RN em contato pele a pele com a parturiente, coberto com tecido seco e aquecido, com boca e narinas visíveis, mantendo normotermia (36,5 a 37,5 °C) e estimulando a amamentação na primeira hora. Aspiração de vias aéreas só se houver excesso de secreções.
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03
O que fazer no RN de 34 semanas ou mais que nasce sem boa vitalidade, antes de clampear o cordão?
Estímulo tátil delicado no dorso, com movimentos circulares, por cerca de 15 segundos, ainda com o cordão intacto. Se o RN começar a respirar, clampear o cordão no mínimo 60 segundos após a extração. Se continuar em apneia, respiração irregular e/ou hipotônico, clampear o cordão e levar à mesa de reanimação sob calor radiante. Nunca chacoalhar o RN. Descolamento prematuro de placenta, placenta prévia sangrante e nó verdadeiro de cordão exigem clampeamento imediato.
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04
Quando e como fazer a ordenha de cordão em 2026?
É opção para prover transfusão placentária quando o RN não inicia a respiração após o estímulo tátil: comprimir cerca de 20 cm do cordão intacto, da placenta em direção ao RN, ao longo de 2 segundos, repetir 3 vezes deixando o cordão se encher a cada vez, e clampear em menos de 60 segundos. No RN com menos de 34 semanas, vale a partir de 28 semanas; abaixo de 28 semanas é contraindicada pelo risco de hemorragia peri-intraventricular grave. A reanimação com cordão intacto segue restrita à pesquisa.
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05
Quais são os passos iniciais na mesa de reanimação, e em quanto tempo devem ser feitos?
Em até 30 segundos: manter normotermia (secar corpo e cabeça, desprezar campos úmidos, colocar touca, fonte de calor radiante ligada antes do nascimento) e assegurar vias aéreas pérvias (decúbito dorsal, pescoço em leve extensão, coxim sob os ombros se preciso). Aspirar boca e narinas só se houver suspeita de obstrução por secreções, com pressão máxima de 80 a 100 mmHg. Evitar temperatura acima de 38 °C, que agrava a lesão cerebral no asfixiado; a hipotermia terapêutica não é iniciada na sala de parto.
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06
Como fica a conduta com líquido amniótico meconial?
Não aspirar as vias aéreas ao desprendimento do polo cefálico. RN vigoroso fica com a parturiente, com clampeamento após 60 segundos. RN não vigoroso que não respira após o estímulo tátil vai à mesa para os passos iniciais; a aspiração de boca e narinas só se houver obstrução. Laringoscopia direta imediata e aspiração traqueal de rotina não são recomendadas, pois não mudam o prognóstico e atrasam a VPP, que deve começar no primeiro minuto.
Avaliação
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07
Como avaliar a frequência cardíaca logo após os passos iniciais, e quando o monitor cardíaco passa a ser obrigatório?
A primeira avaliação é pela ausculta do precórdio: contar por 6 segundos e multiplicar por 10. FC adequada é 100 bpm ou mais; bradicardia é menor que 100 bpm. Ausculta e palpação do cordão subestimam a FC em 15 a 25 bpm, por isso o monitor cardíaco é obrigatório assim que a VPP é indicada; no prematuro de menos de 34 semanas, é recomendado para todos na mesa de reanimação. O oxímetro, no pulso radial direito, é obrigatório com VPP ou oxigênio suplementar.
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08
Onde posicionar os três eletrodos do monitor cardíaco?
Com eletrodos neonatais de 2,2 cm: o primeiro próximo ao mamilo direito, o segundo próximo ao mamilo esquerdo e o terceiro na lateral direita do abdome, abaixo do fígado, alinhado ao coto umbilical. Sem eletrodos neonatais: um em cada braço, perto do ombro, e o terceiro na face anterior da coxa, fixados com bandagem elástica. O objetivo é acompanhar a FC, não analisar o traçado.
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09
Quais são os alvos de SpO2 pré-ductal por minuto de vida nas diretrizes de 2026?
2 minutos: 65 a 70%. 3 minutos: 70 a 75%. 4 minutos: 75 a 80%. 5 minutos: 80 a 85%. 10 minutos: 85 a 95%. Os valores são os mesmos para o RN de 34 semanas ou mais e para o prematuro. Em RN saudáveis em ar ambiente, a SpO2 fica ao redor de 60 a 65% no primeiro minuto e só passa de 90% depois de 5 minutos ou mais.
Ventilação
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10
Quando indicar a VPP, com que concentração de oxigênio começar e como ajustar?
Apneia, respiração irregular e/ou FC menor que 100 bpm após os passos iniciais, nos primeiros 60 segundos após o nascimento (Minuto de Ouro). Cada 30 segundos de atraso aumenta em 16% o risco de morte ou morbidade. No RN de 34 semanas ou mais, começar com ar ambiente; no de menos de 34 semanas, com O2 a 60%. Depois, ajustar 20% para cima ou para baixo a cada 30 segundos conforme a SpO2 pré-ductal, sempre com blender.
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11
Qual é o equipamento preferido para a VPP e quais são os parâmetros iniciais?
O ventilador mecânico manual com peça T é preferível ao balão autoinflável, porque fornece pressão consistente e PEEP; o balão deve estar sempre disponível. Peça T no RN de 34 semanas ou mais: fluxo de 10 L/min, pressão inspiratória de 20 a 30 cmH2O, PEEP de 5 cmH2O, limite de 40 cmH2O, 30 a 60 movimentos por minuto. No prematuro: pressão inspiratória de 20 a 25 cmH2O e PEEP de 5 a 6 cmH2O, com gases umidificados e aquecidos. A insuflação sustentada não é recomendada.
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12
Como saber se a VPP está funcionando e o que fazer se não funcionar?
O melhor indicador é o aumento da FC, em geral nos primeiros 15 a 30 segundos. Após 30 segundos, se FC de 100 bpm ou mais e respiração regular, suspender. Se a FC segue abaixo de 100 bpm, aplicar a sequência corretiva: readaptar a máscara, reposicionar a cabeça, aspirar boca e nariz, ventilar com a boca entreaberta e aumentar a pressão em cerca de 5 cmH2O até o máximo de 40. Corrigir a técnica antes de dar oxigênio. Nove em cada dez RN melhoram só com máscara facial.
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13
Qual é o lugar da máscara laríngea nas diretrizes de 2026?
Pode ser considerada como opção à máscara facial para a VPP do RN de 34 semanas ou mais e com peso estimado de 2.000 g ou mais (tamanho 1 serve de 2 a 5 kg). É sugerida quando a VPP com máscara facial não é efetiva e a intubação não é factível ou falhou, e é a interface de primeira escolha na via aérea difícil. Comparada à máscara facial, reduz a falha da VPP em 76% e a intubação em 66%. Não há evidência para seu uso durante a massagem cardíaca nem para medicações.
Intubação
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Quais são as indicações de intubação traqueal na sala de parto, e com que laringoscópio?
VPP com máscara não efetiva após a correção da técnica, VPP com máscara prolongada sem retomada da respiração espontânea e necessidade de massagem cardíaca, além da hérnia diafragmática que precisa de VPP. Pode ser feita com laringoscópio tradicional ou videolaringoscópio; o vídeo aumenta o sucesso, sobretudo para médicos menos experientes, mas o tradicional deve estar sempre disponível. O fio-guia é opcional e não melhora o sucesso. Cada tentativa dura no máximo 30 segundos.
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15
Como confirmar a posição da cânula e como ventilar logo após a intubação?
A avaliação clínica tem baixa acurácia e pode demorar 30 a 60 segundos; o detector colorimétrico de CO2 exalado é mais acurado e confirma a posição em menos de 10 segundos (pode dar falso-negativo se o débito cardíaco estiver muito baixo). Logo após a intubação, ventilar com O2 a 60% e depois titular pela SpO2 pré-ductal. Falha da VPP por cânula após 30 segundos: checar posição e obstrução da cânula, pressão, conexões, oferta de O2 e pneumotórax.
Massagem e medicações
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Quando iniciar a massagem cardíaca e como executá-la?
FC menor que 60 bpm após 30 segundos de VPP por cânula traqueal com técnica adequada; ao iniciar a massagem, elevar o O2 para 100%. Técnica dos dois polegares, sobrepostos ou justapostos, no terço inferior do esterno, logo abaixo da linha intermamilar, poupando o xifoide, deprimindo um terço do diâmetro anteroposterior do tórax. Relação 3:1, ou seja, 90 compressões e 30 ventilações por minuto. O profissional fica atrás da cabeça do RN e troca a cada 2 a 5 minutos. Reavaliar após 60 segundos: FC acima de 60 bpm, parar a massagem.
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17
Qual é a via de acesso vascular de eleição e qual é a alternativa?
O cateterismo venoso umbilical de urgência, com cateter de lúmen único 3,5 ou 5 F preenchido com soro fisiológico, inserido 3 a 4 cm após o ânulo até refluir sangue. A via intraóssea é alternativa quando o cateterismo umbilical não é factível, por anomalia periumbilical ou falta de profissional habilitado, com efeito hemodinâmico semelhante ao da via venosa.
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Quando indicar adrenalina, em que dose e por qual via?
FC persistentemente abaixo de 60 bpm após VPP por cânula com O2 a 100% e massagem cardíaca adequada por pelo menos 60 segundos. Diluir 1 mL da ampola de 1 mg/mL em 9 mL de soro fisiológico (0,1 mg/mL). Via intravascular (umbilical ou intraóssea): 0,01 a 0,03 mg/kg, na prática 0,02 mg/kg, ou seja, 0,2 mL/kg da solução diluída, rápido, seguida de flush de 3 mL; repetir a cada 3 a 5 minutos. Via traqueal, uma única vez enquanto se obtém o acesso: 0,05 a 0,1 mg/kg, na prática 0,1 mg/kg (1 mL/kg), sem flush. Não usar doses acima de 0,1 mg/kg.
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Quando usar expansor de volume, e quais medicações não são recomendadas?
Na suspeita de hipovolemia (perda de sangue ou sinais de choque) sem resposta às demais medidas: soro fisiológico 10 mL/kg, lentamente, em 5 a 10 minutos, com dose adicional de 10 mL/kg após corrigir os demais fatores. O Ringer lactato pode elevar o lactato e precipitar com hemoderivados. Bicarbonato de sódio e naloxona não são recomendados, e não há referência ao uso de atropina, albumina ou vasopressores na reanimação ao nascer.
Prematuro
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O que muda na recepção do prematuro com boa vitalidade de acordo com a idade gestacional?
Todos clampeiam o cordão com no mínimo 60 segundos, posicionados sobre a mãe, secando só a cabeça e cobrindo o corpo com plástico e campo aquecido por cima. O prematuro moderado, de 32 a 33 semanas e 6 dias, pode ficar em pele a pele, com touca dupla, nova cobertura plástica e monitorização contínua de temperatura (a cada 10 minutos), FC, respiração e SpO2. Todo RN com menos de 32 semanas vai à mesa de reanimação após o clampeamento.
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Quais são as medidas térmicas específicas do prematuro na mesa de reanimação?
Introduzir o corpo no saco plástico de polietileno sem secar, com a face de fora, e só retirar após a estabilização térmica na unidade neonatal; touca dupla (plástica coberta por touca de lã ou algodão); colchão térmico químico sugerido abaixo de 30 semanas (o anexo cita menos de 1.000 g), com limite de 40 °C e compressa entre o colchão e o RN; gases umidificados e aquecidos se houver suporte ventilatório. Sala a 23 a 25 °C e cuidado com a hipertermia.
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Quando usar CPAP na sala de parto, e qual é a diferença entre o prematuro e o RN de termo?
No prematuro de menos de 34 semanas com FC de 100 bpm ou mais e respiração espontânea, mas com desconforto respiratório e/ou SpO2 abaixo do alvo, o CPAP está indicado, com peça T e máscara, pressão inicial de 5 a 6 cmH2O; previne ou atenua a síndrome do desconforto respiratório. No RN de 34 semanas ou mais com desconforto, a decisão exige cautela: se a SpO2 está no alvo, conduta conservadora; se está baixa, o CPAP pode ser considerado, lembrando a associação com pneumotórax. O balão autoinflável não faz CPAP.
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Há indicação de surfactante na sala de parto em 2026?
Não. Não há, até o momento, indicação de administrar surfactante na sala de parto. O manejo inicial prioriza o suporte respiratório com CPAP ou VPP, e o surfactante, por cânula traqueal ou técnica minimamente invasiva, é indicado no prematuro com desconforto respiratório de preferência nas primeiras duas horas após o nascimento, depois da estabilização inicial.
Ética, transporte e qualidade
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Quando não iniciar e quando discutir a interrupção da reanimação?
Não iniciar é decisão compartilhada entre as equipes obstétrica e pediátrica e a família, com comprovação diagnóstica antenatal; na dúvida ou sem oportunidade de ouvir a família, fazer todos os procedimentos. Se não há resposta às manobras avançadas (VPP com cânula, massagem e medicações), sugere-se discutir a interrupção com a equipe e a família ao redor de 20 minutos após o nascimento. No prematuro extremo: abaixo de 22 semanas, cuidado de conforto; 22 e 23 semanas são a zona cinzenta; a partir de 24 semanas justifica-se a intervenção máxima.
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Quais são as regras do transporte para a unidade neonatal e o que são debriefing e indicadores de qualidade?
Transportar só após a estabilização, nunca com FC menor que 100 bpm, em incubadora de transporte de dupla parede pré-aquecida (o texto do documento do termo indica 34 a 35 °C; o anexo e o documento do prematuro, 35 a 37 °C), com touca, equipe treinada e monitorização de FC, respiração e SpO2 no trajeto. O debriefing é a conversa reflexiva estruturada após o atendimento, que melhora o desempenho da equipe, a adesão às diretrizes e os desfechos. Cada serviço deve acompanhar indicadores, como a porcentagem de RN com VPP iniciada nos primeiros 60 segundos.
Fonte
ALMEIDA, M. F. B.; GUINSBURG, R.; Coordenadores Estaduais do PRN-SBP; Grupo Executivo do PRN-SBP; Departamento de Neonatologia da SBP. Reanimação do recém-nascido ≥34 semanas em sala de parto: diretrizes 2026 da Sociedade Brasileira de Pediatria. Rio de Janeiro: SBP, 2026. 58 p. Cards sobre o prematuro: GUINSBURG, R.; ALMEIDA, M. F. B. et al. Reanimação do recém-nascido <34 semanas em sala de parto: diretrizes 2026 da SBP. Rio de Janeiro: SBP, 2026. 64 p. doi:10.25060/PRN-SBP-2026-2. doi:10.25060/PRN-SBP-2026-1
Material de estudo para provas de residência médica. Não substitui a leitura da diretriz nem define conduta para um paciente específico.