Critérios de Roma V na pediatria: o que mudou na constipação funcional, na síndrome do intestino irritável, na diarreia funcional e na cólica do lactente
Por Mateus Cavarzan, médico. Publicado em . Conferido na fonte original em .
Em maio de 2026, a Fundação Roma publicou na Gastroenterology os critérios de Roma V para os distúrbios da interação intestino-cérebro na infância. O artigo sobre os distúrbios do trato digestivo inferior e biliares abandona a divisão por faixa etária usada no Roma IV e organiza as entidades em três grupos: distúrbios de dor abdominal, distúrbios da defecação e anorretais e distúrbios de desconforto. Entram quatro entidades novas na pediatria (síndrome de dor biliar, síndrome de dor abdominal de mediação central, distensão abdominal funcional e proctalgia fugaz) e a cólica do lactente ganha outro nome.
O que mais cai em prova mudou: a constipação funcional passa a ter um único conjunto de critérios para todas as idades, com fezes duras definidas pelas escalas de Bristol e de Bruxelas; a síndrome do intestino irritável deixa de ser diferenciada da constipação pela resposta ao tratamento da constipação, exige dor como sintoma predominante, e o comitê recomenda 6 anos como idade mínima para o diagnóstico; a diarreia funcional vai até os 18 anos. Os flashcards trazem os critérios de cada distúrbio, as justificativas do comitê e os pontos de tratamento. O quadro compara o Roma IV com o Roma V.
Antes e agora
| Ponto | Roma IV (2016) | Roma V (2026) |
|---|---|---|
| Organização | Divisão por faixa etária. | Três grupos por região e padrão de sintomas: dor abdominal; defecação e anorretais; desconforto. Dispepsia funcional fica no capítulo do trato superior. |
| SII e constipação funcional | Para separar as duas, tentava-se tratar a constipação primeiro. | A dor abdominal predominante é o que diferencia a SII com constipação da constipação funcional. Dor só durante a menstruação exclui a SII. Idade mínima de 6 anos e subtipos pela escala de Bristol, como no adulto. |
| Constipação funcional | Critérios por pelo menos 1 vez por semana, divididos por idade de desenvolvimento (4 anos), com retenção voluntária excessiva, fezes de grande calibre que podem entupir o vaso e evacuação no vaso. | Um único conjunto de critérios para todas as idades, com sintomas ocorrendo no último mês; incontinência fecal conta só em crianças com treinamento esfincteriano; entra o esforço evacuatório e a retenção passa a ser inadequada; fezes duras são Bristol 1 ou 2 ou Bruxelas 1 a 3; sai a referência ao vaso sanitário. |
| Diarreia funcional | Faixa etária mais restrita; o artigo registra que ela foi ampliada. | Início entre 6 meses e 18 anos, com critério por idade: 4 ou mais evacuações indolores por dia antes dos 4 anos, ou mais de 2 por dia a partir dos 4 anos, com pelo menos 25% das fezes não formadas (Bristol 6 ou 7, ou escala de Bruxelas em quem usa fralda). |
| Cólica do lactente | Choro e irritabilidade que deviam cessar antes dos 5 meses, sem déficit de crescimento, febre ou doença; para pesquisa, 3 horas ou mais por dia em 3 ou mais dias por semana. | Passa a se chamar infant distress syndrome (síndrome do sofrimento do lactente, em tradução livre). Basta começar antes dos 5 meses; cai a exigência de cessar antes dos 5 meses e a lista de ausências. Para pesquisa: mais de 3 horas por dia até 6 semanas, ou mais de 2,5 horas depois, em 3 ou mais dias por semana, ou impacto grave na vida de um cuidador. |
25 flashcards para revisar
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A classificação
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01
Qual é a principal mudança estrutural do Roma V pediátrico em relação ao Roma IV?
O Roma V abandona a divisão por faixa etária e classifica os distúrbios do trato digestivo inferior por região e padrão de sintomas, em três grupos: distúrbios de dor abdominal, distúrbios da defecação e anorretais e distúrbios de desconforto. O comitê também reconhece que os distúrbios da interação intestino-cérebro podem coexistir com outras condições que produzem sintomas digestivos.
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02
Quais entidades são novas na pediatria no Roma V, e qual mudou de nome?
Novas: síndrome de dor biliar, síndrome de dor abdominal de mediação central, distensão abdominal funcional e proctalgia fugaz. A cólica do lactente passou a se chamar infant distress syndrome. Os critérios de SII, constipação funcional e incontinência fecal não retentiva foram revisados.
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03
O que o capítulo de Roma V sobre o trato digestivo superior pediátrico passou a incluir?
Distúrbios da interação intestino-cérebro do esôfago (hipersensibilidade ao refluxo e dor esofágica sem refluxo), distúrbios do trânsito de ar (aerofagia e eructação supragástrica), distúrbios alimentares funcionais, além de síndrome de ruminação, vômitos cíclicos, síndrome da náusea crônica e dispepsia funcional. A dispepsia funcional, inclusive a síndrome da dor epigástrica, ficou nesse capítulo por decisão conjunta dos dois comitês.
Síndrome do intestino irritável
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04
Quais são os critérios de Roma V para a síndrome do intestino irritável na criança?
Todos os seguintes: dor abdominal intermitente, em média pelo menos 4 dias por mês, associada a um ou mais de: relação com a defecação, mudança na frequência das fezes ou mudança na forma das fezes; a dor abdominal é o sintoma predominante; após avaliação adequada, os sintomas não são totalmente explicados por outra condição médica. Critérios preenchidos por pelo menos 2 meses antes do diagnóstico. A dor não deve ocorrer apenas durante a menstruação.
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05
A partir de que idade o Roma V admite o diagnóstico de SII na criança, e por quê?
A partir de 6 anos. Nenhum estudo descreveu SII em menores de 6 anos, e o comitê recomendou essa idade mínima para o diagnóstico.
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06
O que mudou do Roma IV para o Roma V na distinção entre SII e constipação funcional?
No Roma IV tentava-se tratar a constipação primeiro para diferenciar as duas. O comitê do Roma V considerou que o tipo, a dose e a duração desse tratamento e a mudança esperada na dor não estavam bem definidos. Agora, como nos critérios do adulto, o que diferencia a SII com constipação da constipação funcional é a dor abdominal como sintoma predominante.
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07
Por que a dor que ocorre só na menstruação passou a excluir a SII?
Dois estudos recentes, ainda não publicados, encontraram um subgrupo de crianças que preenchiam Roma IV para SII mas tinham dor e alteração do hábito intestinal apenas durante a menstruação. O comitê entendeu que isso é dismenorreia imitando a SII.
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08
Como o Roma V define os subtipos de SII na criança?
Pela proporção de fezes anormais na escala de Bristol, como no adulto. SII com constipação: 25% ou mais das fezes anormais tipo 1 ou 2 e até 25% tipo 6 ou 7. SII com diarreia: 25% ou mais tipo 6 ou 7 e até 25% tipo 1 ou 2. SII mista: 25% ou mais de cada. SII não classificada: menos de 25% de cada.
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09
Quais exames o Roma V sugere na avaliação da SII com diarreia na criança?
Pesquisa de doença celíaca; calprotectina fecal como rastreio de inflamação intestinal; pesquisa de parasitas conforme o contexto local; considerar má absorção de carboidratos e gatilhos alimentares, pela maior prevalência de variantes do gene da sacarase-isomaltase em crianças com diarreia crônica; o artigo também registra que, em um subgrupo com SII e fezes amolecidas, a má absorção de ácidos biliares foi identificada como fator contribuinte.
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10
O que as diretrizes ESPGHAN e NASPGHAN, citadas pelo Roma V, recomendam para o tratamento da SII e da dor abdominal funcional na criança?
Primeira linha: terapia cognitivo-comportamental e hipnoterapia. Possíveis: neuroestimulação percutânea (PENFS), probióticos de cepa específica, óleo de hortelã-pimenta com revestimento entérico e fibra solúvel (psyllium, só na SII). Não sugeridos: antiespasmódicos, antibióticos como rifaximina e dietas restritivas, inclusive baixa em FODMAP. Amitriptilina e ciproeptadina podem ser consideradas em casos selecionados.
Dor abdominal
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11
Como o Roma V diferencia a síndrome de dor abdominal não especificada da síndrome de dor abdominal de mediação central?
A não especificada (APS-NOS) é dor intermitente, em média pelo menos 4 dias por mês, que não ocorre só nas refeições, na defecação ou na menstruação, sem critérios para SII, dispepsia funcional, enxaqueca abdominal ou dor biliar. A de mediação central (CAPS), nova na pediatria, é dor contínua que limita o funcionamento diário (escola, lazer, família, esportes). As duas exigem 2 meses de critérios.
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12
Quais são os critérios da síndrome de dor biliar, nova no Roma V pediátrico, e o que dizer sobre a colecistectomia?
Dor no quadrante superior direito, com ou sem dor epigástrica, em média pelo menos 4 dias por mês, de início agudo, durando de 30 minutos a várias horas, episódica e intensa a ponto de levar a avaliação médica de urgência; sem critérios para SII, dispepsia funcional ou enxaqueca abdominal; sem cálculos ou outra doença estrutural da vesícula ou das vias biliares; 2 meses de critérios. A fração de ejeção da vesícula não é recomendada para o diagnóstico, e a colecistectomia só deve ser considerada depois de falha do tratamento não cirúrgico.
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13
Os critérios de enxaqueca abdominal mudaram no Roma V?
Não, continuam os do Roma IV: pelo menos 2 episódios paroxísticos de dor periumbilical, na linha média ou difusa, intensa, com 1 hora ou mais, separados por pelo menos 1 semana, incapacitantes, estereotipados, com 2 ou mais de anorexia, náusea, vômito, cefaleia, fotofobia ou palidez; não explicados por outra condição, inclusive a síndrome dos vômitos cíclicos; 6 meses de critérios. Quando há sobreposição com vômitos cíclicos, o sintoma predominante define o diagnóstico.
Constipação e defecação
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14
Quais são os critérios de Roma V para constipação funcional na criança?
Pelo menos 2 dos seguintes, ocorrendo no último mês: em média 2 ou menos evacuações por semana; em média pelo menos 1 episódio de incontinência fecal por semana (só em crianças com treinamento esfincteriano); história de postura retentiva, esforço ou retenção inadequada de fezes; história de evacuações dolorosas ou fezes duras (Bristol 1 ou 2, ou Bruxelas 1, 2 ou 3 em lactentes); grande massa fecal no reto; história de fezes de grande diâmetro. Mais: não explicada por outra condição e sem critérios para SII. Critérios por pelo menos 1 mês.
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15
Quais foram as mudanças nos critérios de constipação funcional, e por quê?
De "pelo menos 1 vez por semana" para "no último mês", porque alguns itens, como a massa fecal no reto, não ocorrem toda semana. Fim da divisão por idade de 4 anos: um só conjunto de critérios, com a incontinência valendo apenas para quem já tem treinamento esfincteriano, e sem a expressão "no vaso". Entrou "esforço", porque os pais confundem retenção com esforço. "Retenção voluntária excessiva" virou "retenção inadequada". Fezes duras passaram a ser definidas pelas escalas de Bristol e de Bruxelas, e saiu "que pode entupir o vaso", que dependia do tipo de vaso. O termo "funcional" foi mantido.
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16
A dor abdominal entra nos critérios de constipação funcional?
Não. A dor é frequente na constipação (até 65% das crianças com distúrbio de defecação) e muitas melhoram ao tratá-la, mas o comitê não a considerou critério, assim como inapetência, saciedade precoce, distensão e sintomas urinários. Quando a dor é o sintoma predominante e alivia com a evacuação, o diagnóstico deve ser SII.
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17
O que o Roma V diz sobre radiografia de abdome e sobre o tratamento de manutenção da constipação funcional?
A radiografia não é sensível nem específica para o diagnóstico e só deve ser usada quando houver indicação clínica. Manutenção: polietilenoglicol como primeira linha para maiores de 6 meses, segundo as diretrizes ESPGHAN e NASPGHAN; se não houver melhora com o amolecedor de fezes, acrescentar um laxante estimulante (senna ou bisacodil) pode ser benéfico. Entre as novas classes, só a linaclotida foi superior ao placebo em ensaios pediátricos, aprovada nos Estados Unidos na dose de 72 mcg por dia dos 6 aos 17 anos.
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18
Como a NASPGHAN define constipação refratária?
Constipação persistente em criança com critérios de Roma IV para constipação funcional que não melhorou após pelo menos 3 meses de tratamento convencional adequado (laxante estimulante diário em dose adequada mais intervenções comportamentais e biomecânicas), com prejuízo da qualidade de vida. Sintomas persistentes: 2 ou menos evacuações voluntárias por semana e/ou 1 ou mais episódios de incontinência fecal por semana.
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19
Quais são os critérios da incontinência fecal não retentiva, e o que mudou?
Em criança com treinamento esfincteriano: evacuação em locais inadequados ao contexto sociocultural; sem evidência de retenção fecal; incontinência não proposital; não explicada por outra condição; por pelo menos 1 mês. Saiu a palavra "funcional" e entrou a exigência de não ser proposital, para excluir crianças com incontinência intencional por questões emocionais. Laxantes não ajudam e podem piorar; orienta-se sentar no vaso por 5 a 10 minutos pelo menos 3 vezes ao dia.
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20
Quais são os critérios de disquesia do lactente no Roma V?
Em lactente com menos de 9 meses, os dois: episódios recorrentes de esforço por pelo menos 10 minutos, com esforço visível para evacuar, antes da eliminação, com ou sem sucesso, de fezes amolecidas, muitas vezes com gritos, choro ou vermelhidão intensa do rosto; e desconforto não explicado por outra condição. A única mudança foi acrescentar choro, gritos e vermelhidão como critérios de apoio. Evitar estimulação retal; laxantes em geral são desnecessários.
Diarreia e desconforto
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Quais são os critérios de diarreia funcional no Roma V, e como diferenciá-la da SII com diarreia?
Média de 4 ou mais evacuações indolores por dia antes dos 4 anos, ou mais de 2 por dia a partir dos 4 anos, com pelo menos 25% das fezes não formadas (Bristol 6 ou 7; em quem usa fralda, escala de Bruxelas, tipos 6 ou 7 na nota dos critérios e 5 a 7 no texto da justificativa); início entre 6 meses e 18 anos; sem critérios para constipação funcional, SII com diarreia ou incontinência não retentiva; não explicada por outra condição; 2 meses de critérios. A faixa etária foi ampliada até 18 anos. O que diferencia da SII com diarreia é a dor: a diarreia funcional cursa sem dor significativa.
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22
Quais são os critérios da distensão abdominal funcional, nova na pediatria?
Distensão e/ou sensação de estufamento intermitentes, em média pelo menos 4 dias por mês, predominando sobre os outros sintomas; critérios insuficientes para SII, constipação funcional, diarreia funcional, aerofagia ou síndrome do desconforto pós-prandial; não explicada por outra condição; 2 meses de critérios. Pode haver dor leve e pequenas alterações do hábito intestinal. Os critérios foram alinhados aos do adulto.
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23
Quais são os critérios clínicos e de pesquisa da infant distress syndrome, a antiga cólica do lactente?
Clínicos, todos: início dos sintomas antes dos 5 meses de idade; períodos recorrentes e prolongados de choro e irritabilidade relatados pelos cuidadores, sem causa óbvia e que eles não conseguem prevenir ou resolver; sintomas não explicados por outra condição. Para pesquisa, mais pelo menos um: choro por mais de 3 horas por dia até 6 semanas de idade, ou mais de 2,5 horas depois (percentil 75 para a idade), em pelo menos 3 dias por semana; ou impacto grave na vida diária e no bem-estar de pelo menos um cuidador.
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Por que a cólica do lactente mudou de nome e o que mudou nos critérios?
O termo cólica sugere dor originada no cólon, o que nunca foi comprovado; o novo nome destaca o sofrimento visível do lactente. O Roma IV exigia que os sintomas cessassem antes dos 5 meses, mas alguns bebês seguem chorando depois disso, e esse critério foi modificado: agora basta que os sintomas comecem antes dos 5 meses. A exigência de ausência de déficit de crescimento, febre ou doença pareceu arbitrária e foi substituída pela fórmula padrão dos outros distúrbios. O corte de 3 horas por dia para pesquisa foi considerado arbitrário, porque muitos bebês choram menos que isso com impacto grave nos cuidadores.
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O que o Roma V orienta no manejo do lactente com choro excessivo?
Validar os sintomas e a carga emocional dos pais, tranquilizar sobre a saúde da criança e explicar a natureza autolimitada. Lactente afebril com choro excessivo nos primeiros meses deve ter o exame de urina avaliado. Sinais de alerta: choro extremo ou agudo, ausência de ritmo diurno, início após 4 meses, regurgitação, vômito ou diarreia frequentes, perda de peso, uso materno de drogas e exame físico alterado. Limosilactobacillus reuteri é o probiótico mais estudado, com redução de 64,6 minutos no choro diário. Terapias manuais, lactase, simeticona, ervas, acupuntura e inibidores de bomba de prótons têm evidência fraca ou controversa.
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Fonte
Di Lorenzo C, Saps M, Chumpitazi BP, Rajindrajith S, Staiano A, Thapar N, van Tilburg M, Velasco-Benítez C, Vlieger A. Lower and Biliary Disorders of Gut-Brain Interaction: Child and Adolescent. Gastroenterology. 2026;170(6):1367-1387. Artigo complementar: Rosen R, Borrelli O, Faure C, et al. Rome V Pediatric Upper Gastrointestinal Disorders of Gut-Brain Interaction. Gastroenterology. 2026;170(6):1347-1366, doi:10.1053/j.gastro.2026.01.039. doi:10.1053/j.gastro.2026.01.036
Material de estudo para provas de residência médica. Não substitui a leitura da diretriz nem define conduta para um paciente específico.