Mateus Cavarzan

Asma na criança: o que mudou no GINA 2026 na manutenção de 6 a 11 anos e na crise

Por Mateus Cavarzan, médico. Publicado em . Conferido na fonte original em .

O relatório GINA 2026, publicado em maio, mexeu em dois pontos que caem em prova de pediatria. Na criança de 6 a 11 anos, a etapa 1 deixou de ser "ICS sempre que usar SABA" e passou a ser aliviador anti-inflamatório apenas: ICS-formoterol em dose baixa sob demanda ou ICS mais SABA sob demanda. O SABA isolado saiu de todas as etapas e só fica como alternativa quando o aliviador anti-inflamatório não está disponível. O relatório também diz em que etapa começar o tratamento e como subir da etapa 1, de acordo com o aliviador que a criança já usa.

Na crise, quatro fluxogramas novos cobrem a criança de 5 anos ou menos e a de 6 a 11 anos, na atenção primária e na emergência. A gravidade passou a ter quatro níveis (leve, moderada, grave e ameaçadora à vida), com recomendação forte de usar um escore validado, como o PRAM, em menores de 18 anos. O oxigênio só entra se a saturação cair abaixo de 92%, as doses de salbutamol ficaram mais contidas e a adrenalina vem antes do broncodilatador quando há anafilaxia. Os flashcards cobrem a manutenção de 6 a 11 anos e a crise nas duas faixas etárias.

Antes e agora

PontoGINA 2025GINA 2026
Etapa 1 (6 a 11 anos)ICS em dose baixa tomado sempre que o SABA é usado.Só aliviador anti-inflamatório: ICS-formoterol em dose baixa sob demanda ou ICS mais SABA sob demanda (inalador combinado ou separados).
Aliviador (6 a 11 anos)SABA sob demanda em todas as etapas; ICS-formoterol só como aliviador do MART nas etapas 3 e 4.ICS-formoterol ou ICS-SABA em dose baixa sob demanda. SABA sob demanda só se o aliviador anti-inflamatório não estiver disponível.
Gravidade da crise (5 anos ou menos)Dois grupos: leve ou moderada e grave ou ameaçadora à vida, com frequência cardíaca entre os critérios (acima de 180 bpm de 0 a 3 anos, acima de 150 de 4 a 5 anos).Quatro grupos: leve, moderada, grave e ameaçadora à vida, sem frequência cardíaca. Escore clínico validado: PRAM 1 a 3, 4 a 7, 8 a 10 e 11 a 12.
Oxigênio na criseAlvo de saturação de 94% ou mais em crianças de 5 anos ou menos; 93 a 95% em adultos e 94% ou mais em crianças de 6 a 11 anos.Só se a saturação em ar ambiente for menor que 92%. Alvo de 92% ou mais até 5 anos e de 92 a 95% de 6 a 11 anos.
Salbutamol na crise (6 a 11 anos)4 a 10 jatos a cada 20 minutos, até 3 doses.Leve: 4 jatos, reavaliar e repetir uma vez em 30 a 60 minutos se preciso. Moderada: 4 a 6 jatos, até 3 vezes, a cada 20 a 30 minutos, com ipratrópio 4 jatos. Grave: 6 a 10 jatos a cada 20 a 30 minutos.

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O que mudou

  1. 01

    Quais são as mudanças do GINA 2026 que mais interessam na asma da criança?

    🎯 Duas frentes: a manutenção de 6 a 11 anos e a crise em todas as idades.

    📊 De 6 a 11 anos:

    • Etapa 1 nova: só aliviador anti-inflamatório (ICS-formoterol ou ICS+SABA sob demanda)
    • SABA isolado fora de todas as etapas
    • Orientação de em que etapa começar e de como subir da etapa 1

    📊 Na crise:

    • Quatro fluxogramas novos (5 anos ou menos e 6 anos ou mais, na atenção primária e na emergência)
    • Gravidade em quatro níveis e escore validado (PRAM) abaixo de 18 anos
    • Oxigênio só se saturação menor que 92%
    • Doses de SABA mais contidas e adrenalina antes do broncodilatador na anafilaxia
  2. 02

    Por que o GINA 2026 tirou o SABA isolado da etapa 1 em crianças de 6 a 11 anos?

    🎯 Porque criança tratada só com SABA tem mais morte relacionada à asma (evidência A) e mais atendimento de urgência (evidência A) do que com qualquer ICS.

    📊 Evidências citadas:

    • TREXA: piores desfechos no grupo SABA isolado; menos falha terapêutica em quem tomava ICS junto com o SABA
    • CARE (5 a 15 anos): budesonida-formoterol sob demanda reduziu exacerbações em quase metade em relação ao SABA isolado

    ⚠️ Dispensar 3 ou mais frascos de SABA por ano (cerca de 12 inalações por semana) dobra o risco de ida à emergência.

Manutenção de 6 a 11 anos

  1. 03

    Qual é a etapa 1 do GINA 2026 para crianças de 6 a 11 anos?

    🎯 Aliviador anti-inflamatório apenas, sem manutenção.

    ✅ Opções:

    • ICS-formoterol em dose baixa sob demanda
    • ICS+SABA em dose baixa sob demanda, em inalador combinado ou em inaladores separados

    📊 Para quem: sintomas 2 vezes por semana ou menos em uso de SABA isolado, ou asma bem controlada com ICS em dose baixa.

    ⚠️ Nos ensaios, ICS-formoterol e ICS+SABA tiveram eficácia semelhante; com dois inaladores separados, o risco é a criança usar só o SABA.

  2. 04

    Qual é a formulação e a dose do ICS-formoterol sob demanda para crianças de 6 a 11 anos?

    💊 Budesonida-formoterol 80/4,5 mcg (dose liberada; dose medida 100/6 mcg), 1 inalação quando necessário, em DPI ou pMDI.

    📊 A formulação do estudo CARE (50/3 mcg, 2 inalações) saiu de linha; o GINA sugere a de 80/4,5 mcg no lugar.

    ⚠️ Procurar atendimento se a criança precisar de mais de 8 inalações em 24 horas.

    ❌ Budesonida-formoterol 320/9 e beclometasona-formoterol 200/6 não servem como aliviador anti-inflamatório.

  3. 05

    O que mudou no estudo CARE e qual foi o tamanho do efeito?

    🎯 Redução de 45% nas exacerbações com budesonida-formoterol sob demanda em relação ao salbutamol sob demanda.

    📊 Crianças de 5 a 15 anos que usavam só SABA; taxa anual de exacerbações de 0,23 contra 0,41 por participante (razão de taxas 0,55; IC 95% 0,35 a 0,86).

    📊 Redução maior em 12 a 15 anos, em meninos e com FeNO elevada no início.

    ✅ Sem diferença na velocidade de crescimento.

  4. 06

    Em que etapa iniciar o tratamento de uma criança de 6 a 11 anos com diagnóstico de asma?

    🎯 Depende da frequência dos sintomas nas últimas semanas.

    • 2 dias por semana ou menos: etapa 1 (ICS-formoterol sob demanda ou ICS+SABA sob demanda)
    • 3 a 4 dias por semana: etapa 2 (ICS diário em dose baixa mais SABA ou ICS-SABA sob demanda)
    • Maioria dos dias, ou despertar noturno semanal, ou função pulmonar baixa: etapa 3 (ICS-LABA em dose baixa ou ICS em dose média, ou MART em dose baixa)
    • Sintomas diários ou despertar noturno semanal, mais função pulmonar baixa ou exacerbação recente: etapa 4 (ICS-LABA em dose média ou MART em dose baixa)

    ⚠️ Se a apresentação inicial for uma crise: tratar a crise, com corticoide oral se grave, e começar a etapa 3 ou 4 antes da alta.

  5. 07

    Como subir da etapa 1 em uma criança de 6 a 11 anos?

    🎯 Depende do aliviador que ela já usa (recomendação de consenso).

    • ICS-formoterol sob demanda: passa para MART com ICS-formoterol em dose baixa
    • ICS-SABA em inalador combinado: ICS diário em dose baixa mais ICS-SABA sob demanda
    • ICS e SABA em inaladores separados: ICS diário em dose baixa mais SABA sob demanda, com ICS extra sempre que usar o SABA

    ⚠️ Falta evidência na etapa 2: não se sabe se ICS-formoterol sob demanda equivale ao ICS diário com SABA nessa idade.

  6. 08

    Quais são as opções preferidas das etapas 2 e 3 para crianças de 6 a 11 anos?

    ✅ Etapa 2: ICS diário em dose baixa mais ICS-SABA ou SABA sob demanda. No estudo START (6 a 66 anos; 200 mcg por dia abaixo de 11 anos), a budesonida em dose baixa reduziu em 40% as exacerbações graves.

    ✅ Etapa 3, três opções:

    • ICS em dose média mais SABA (evidência A) ou ICS-SABA (evidência D) sob demanda
    • ICS-LABA em dose baixa mais SABA (evidência A) ou ICS-SABA (evidência D) sob demanda
    • MART com ICS-formoterol em dose baixa (evidência B)

    ⚠️ Alternativas da etapa 2: ICS-formoterol ou ICS-SABA sob demanda, ou LTRA diário (menos eficaz e com risco neuropsiquiátrico).

  7. 09

    Como é o MART em crianças de 6 a 11 anos e qual é a dose?

    💊 Budesonida-formoterol 80/4,5 mcg (dose medida 100/6).

    • Etapa 3: 1 inalação uma vez ao dia mais 1 sob demanda
    • Etapa 4: 1 inalação duas vezes ao dia mais 1 sob demanda (ainda é dose baixa de ICS)

    ❌ Etapa 5: MART não recomendado nessa idade.

    📊 Um único estudo com essa dose mostrou grande redução de exacerbações em relação à mesma dose com SABA de alívio ou a ICS em dose mais alta.

    ⚠️ Procurar atendimento se precisar de mais de 8 inalações em 24 horas.

  8. 10

    Quais são as opções das etapas 4 e 5 para crianças de 6 a 11 anos?

    ✅ Etapa 4: ICS-LABA em dose média (evidência B), MART com budesonida-formoterol 80/4,5 duas vezes ao dia mais sob demanda (evidência D) ou encaminhar ao especialista.

    • Outras opções: tiotrópio por névoa (evidência A) ou LTRA, se ainda não testado

    ❌ Teofilina não é recomendada em crianças.

    ✅ Etapa 5: encaminhar para fenotipagem e terapia adicional.

    • Tiotrópio a partir de 6 anos se não controlada com ICS-LABA em dose média ou alta
    • Biológicos a partir de 6 anos: omalizumabe ou omalizumabe-igec (alérgica grave), mepolizumabe (eosinofílica grave) e dupilumabe (eosinofílica ou tipo 2)
  9. 11

    Quais são as doses baixa, média e alta de budesonida e de propionato de fluticasona para crianças de 6 a 11 anos?

    📊 Doses diárias totais medidas, em mcg (Box 4-2, que não é tabela de equivalência):

    • Budesonida (DPI ou pMDI): baixa 100 a 200; média acima de 200 até 400; alta acima de 400
    • Budesonida em nebulização: baixa 250 a 500; média acima de 500 até 1.000; alta acima de 1.000
    • Propionato de fluticasona (DPI ou pMDI): baixa 50 a 100; média acima de 100 até 200; alta acima de 200
    • Beclometasona pMDI partícula padrão: baixa 100 a 200; média acima de 200 até 400; alta acima de 400

    ⚠️ Dose baixa dá a maior parte do benefício; dose alta é para poucos pacientes e tem mais efeitos adversos.

Crise até 5 anos: avaliação

  1. 12

    Como o GINA 2026 classifica a gravidade da crise na criança de 5 anos ou menos?

    🎯 Quatro níveis: leve (todos os critérios), moderada (considerar todos), grave (qualquer um) e ameaçadora à vida (qualquer um).

    📊 Leve: fala em sentenças, FR de 40 por minuto ou menos, sem musculatura acessória, saturação em ar ambiente de 94% ou mais, PRAM 1 a 3.

    📊 Moderada: fala em frases, FR aumentada mas até 40, alguma musculatura acessória, entrada de ar diminuída, saturação de 92% ou mais, PRAM 4 a 7.

    📊 Grave: palavras, FR acima de 40, musculatura acessória com retração de escalenos, tórax silencioso ou só sibilo inspiratório, saturação menor que 92%, PRAM 8 a 10.

    📊 Ameaçadora à vida: sonolência, confusão, cianose ou categoria mais grave do escore (PRAM 11 a 12).

    ⚠️ A frequência cardíaca saiu dos critérios.

  2. 13

    O que é o PRAM e como ele é pontuado?

    🎯 Pediatric Respiratory Assessment Measure: escore de 5 itens, validado de 2 a 17 anos, máximo de 12 pontos.

    📊 Itens:

    • Saturação: 95% ou mais 0; 92 a 94% 1; menor que 92% 2
    • Retração supraesternal: ausente 0; presente 2
    • Contração de escalenos: ausente 0; presente 2
    • Entrada de ar: normal 0; reduzida na base 1; no ápice e na base 2; mínima ou ausente 3
    • Sibilo: ausente 0; só expiratório 1; inspiratório (com ou sem expiratório) 2; audível sem estetoscópio ou tórax silencioso 3

    📊 Gravidade: 0 a 3 leve; 4 a 7 moderada; 8 a 12 grave.

    ⚠️ O escore é só um guia e não substitui a avaliação clínica individual.

  3. 14

    Quando transferir imediatamente ao hospital a criança de 5 anos ou menos em crise?

    🎯 Qualquer um destes, na avaliação inicial ou depois:

    • Cianose
    • Não consegue falar ou beber
    • FR acima de 40 por minuto
    • Saturação menor que 92% em ar ambiente
    • Tórax silencioso com dispneia

    ⚠️ Também: sem resposta a 4 a 6 jatos de salbutamol a cada 20 minutos por até 3 vezes em 1 hora, ou taquipneia persistente após as 3 doses mesmo com outros sinais de melhora.

    ⚠️ Ambiente social que limite o tratamento agudo ou cuidador incapaz de manejar a asma em casa.

    ✅ No transporte: manter salbutamol, oxigênio para saturação de 92% ou mais e iniciar corticoide sistêmico.

Crise até 5 anos: tratamento

  1. 15

    Qual é a dose de salbutamol na crise da criança de 5 anos ou menos, por gravidade?

    💊 Salbutamol 100 mcg por jato, pMDI com espaçador (máscara se preciso), 1 jato por vez com 5 a 6 respirações; agitar antes de cada jato.

    • Leve: 4 jatos (ou 2,5 mg nebulizado), reavaliar e, se preciso, repetir uma vez em 30 a 60 minutos
    • Moderada: 4 jatos (ou 2,5 mg), até 3 vezes, a cada 20 a 30 minutos
    • Grave: 4 a 6 jatos (ou 2,5 mg) a cada 20 minutos, com transferência imediata

    ✅ pMDI com espaçador é preferido ao nebulizador (evidência A): mais eficiente, mais confortável e com menos efeitos adversos.

    ⚠️ Dose alta de SABA causa taquicardia, hipocalemia, acidose láctica e hiperventilação, que podem ser confundidas com piora da asma.

  2. 16

    Quando e como usar ipratrópio e oxigênio na crise da criança de 5 anos ou menos?

    💊 Ipratrópio: 4 jatos de 20 mcg por pMDI com espaçador (ou 0,25 mg nebulizado) junto com o salbutamol, até 3 vezes.

    ✅ Indicação: crise moderada ou grave, ou resposta ruim ao SABA na primeira hora.

    ❌ Suspender na alta: sem benefício após as primeiras 1 a 2 horas.

    💊 Oxigênio: só se a saturação for menor que 92%; alvo de 92% ou mais (evidência A).

    ⚠️ Saturação menor que 92% antes do tratamento prevê alta morbidade e internação, sobretudo se menor que 88%.

  3. 17

    Qual é o corticoide sistêmico, a dose e a duração na crise da criança de 5 anos ou menos?

    ✅ Indicado na crise moderada ou grave, ou se a criança precisar de internação (pontos-chave da Seção 12).

    💊 Prednisolona oral 1 a 2 mg/kg por dia (evidência A): máximo de 20 mg abaixo de 2 anos e de 30 mg de 2 a 5 anos, por 3 a 5 dias, sem desmame.

    💊 Alternativa: dexametasona oral 0,3 a 0,6 mg/kg (máximo 12 mg) em dose única, com ou sem segunda dose no dia seguinte; causa menos vômito.

    💊 Via venosa: metilprednisolona 1 mg/kg a cada 6 horas no primeiro dia.

    ⚠️ Corticoide oral iniciado pelos pais em casa: evidência fraca, não recomendado como rotina.

  4. 18

    Quando considerar sulfato de magnésio na criança de 5 anos ou menos?

    ✅ Na emergência, crise grave (por exemplo, saturação menor que 92%), em criança de 2 anos ou mais, após a primeira hora de salbutamol, ipratrópio e corticoide.

    💊 Dose única venosa de 40 a 50 mg/kg (máximo 2 g), em infusão lenta: o texto diz 20 a 60 minutos e o Box 12-4, 10 a 20 minutos.

    📊 Metanálise de 2024 (2 a 17 anos): menos internação com magnésio venoso de segunda linha.

    ❌ Magnésio nebulizado: sem melhora clinicamente significativa da frequência respiratória.

    ⚠️ Falha de resposta em 1 hora, saturação menor que 92% ou SABA mais frequente do que a cada 1 a 2 horas pedem internação e ou magnésio (evidência D).

  5. 19

    O que organizar na alta da criança de 5 anos ou menos após a crise?

    ✅ Critérios de alta: todos os critérios de crise leve por pelo menos 1 a 2 horas após o último salbutamol, saturação de 92% ou mais em ar ambiente e recursos em casa.

    ✅ Antes da alta:

    • Documentar o diagnóstico: sibilância observada, sem outra causa evidente e resposta clínica ao SABA
    • Salbutamol 2 jatos sob demanda, não de forma regular; voltar se precisar em menos de 4 horas
    • Iniciar, manter ou aumentar o ICS se a crise foi moderada ou grave ou há sintomas entre as crises
    • Completar o corticoide oral (prednisolona 3 a 5 dias; dexametasona 1 a 2 dias)

    📊 Retorno em 1 a 3 dias e de novo em 2 a 3 meses.

    ⚠️ Encaminhar ao especialista se já teve 1 ou mais crises nos últimos 12 meses.

Crise de 6 a 11 anos

  1. 20

    Qual fluxograma vale para a criança de 6 a 11 anos em crise, e como a gravidade é avaliada?

    🎯 O mesmo dos adultos e adolescentes (Box 9-4 na atenção primária e Box 9-6 na emergência), para pacientes de 6 anos ou mais.

    📊 Abaixo de 18 anos, usar escore clínico validado: PRAM 1 a 3 leve, 4 a 7 moderada, 8 a 10 grave, 11 a 12 ameaçadora à vida (o Box 9-4 agrupa 8 a 12 como grave ou ameaçadora).

    📊 Grave: não fala, não bebe ou não deita; saturação menor que 92%; FR acima de 30 por minuto; tórax silencioso; PFE menor que 50%.

    ✅ Espirometria (ou pico de fluxo) é fortemente recomendada em todos, exceto pré-escolares e crises ameaçadoras à vida, e de novo antes da alta.

    ⚠️ A crise é oportunidade de confirmar o diagnóstico: função pulmonar antes e depois do broncodilatador, registrada no prontuário.

  2. 21

    Quais são as doses de salbutamol e ipratrópio na crise da criança de 6 a 11 anos?

    💊 Salbutamol 100 mcg por jato, pMDI com espaçador, 1 jato por vez; agitar antes de cada jato.

    • Leve: 4 jatos (ou budesonida-formoterol 160/4,5 mcg, 2 inalações); reavaliar e, se preciso, repetir uma vez em 30 a 60 minutos
    • Moderada: 4 a 6 jatos (ou 2,5 mg nebulizado), até 3 vezes, a cada 20 a 30 minutos, mais ipratrópio 4 jatos de 20 mcg (ou 0,25 mg) a cada vez
    • Grave: 6 a 10 jatos (ou 5 mg nebulizado) a cada 20 a 30 minutos, mais ipratrópio 4 jatos até 3 vezes, com transferência

    ⚠️ No GINA 2025 eram 4 a 10 jatos a cada 20 minutos por 3 doses. A redução vem da evidência de tratamento excessivo e de toxicidade do SABA.

    ⚠️ Em crianças internadas, adicionar ipratrópio ao SABA não trouxe benefício.

  3. 22

    Qual é o corticoide oral na crise da criança de 6 a 11 anos, em que dose e por quanto tempo?

    💊 Prednisona ou prednisolona 1 a 2 mg/kg por dia, máximo de 40 mg por dia, por 3 a 5 dias, sem desmame.

    💊 Alternativa: dexametasona oral 0,3 a 0,6 mg/kg (máximo 12 mg), total de 1 a 2 dias; trocar por prednisolona se houver recaída.

    ✅ Dar logo na crise moderada ou grave (evidência B), sobretudo se o quadro estiver piorando.

    📊 Revisão sistemática em crianças: mesma taxa de recaída que prednisolona por 3 a 5 dias, melhor adesão e muito menos vômito.

    ❌ Dexametasona não deve passar de 2 dias.

  4. 23

    Qual é o alvo de saturação na crise da criança de 6 a 11 anos, e quando dar oxigênio?

    🎯 Oxigênio só se a saturação em ar ambiente for menor que 92%; alvo de 92 a 95% quando em uso de oxigênio.

    📊 Na classificação: leve 94% ou mais; moderada 92% ou mais; grave menor que 92%.

    ✅ Oxigenoterapia titulada pela oximetria tem menor mortalidade e melhores desfechos do que oxigênio a 100% (evidência A).

    ⚠️ Sem oxímetro, não negar oxigênio, mas vigiar sonolência e fadiga pelo risco de hipercapnia.

    ⚠️ A oximetria pode superestimar a saturação em pele escura; ajustar o alvo em altitude.

  5. 24

    O que organizar na alta e no retorno da criança de 6 a 11 anos após a crise?

    ✅ Alta: critérios de crise leve por 1 a 2 horas após o último salbutamol, saturação de 92% ou mais em ar ambiente, PFE acima de 70% e recursos em casa.

    ✅ Antes da alta:

    • Documentar o diagnóstico
    • Iniciar ou aumentar terapia com ICS; se usar ICS com SABA de alívio, aumentar a dose do ICS por 2 a 4 semanas
    • Aliviador sob demanda, não regular
    • Treinar técnica inalatória com espaçador e reforçar adesão
    • Completar o corticoide oral (3 a 5 dias)

    📊 Retorno em 2 a 5 dias e nova consulta em 2 a 3 meses.

    ⚠️ Encaminhar ao especialista se houve mais de 1 curso de corticoide oral no último ano (Box 9-4); o Box 9-5 fala em 1 ou mais exacerbações nos últimos 12 meses.

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Fonte

GLOBAL INITIATIVE FOR ASTHMA. Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2026. Atualizado em maio de 2026. Seções 4 (crianças de 6 a 11 anos), 9 e 12. Coluna "GINA 2025" do quadro conferida no relatório GINA 2025. Relatório GINA 2026 (PDF integral em ginasthma.org)

Material de estudo para provas de residência médica. Não substitui a leitura da diretriz nem define conduta para um paciente específico.

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