Será que eu tenho fibromialgia? Sintomas, diagnóstico e tratamento
Por Mateus Cavarzan, médico reumatologista e professor. Texto publicado em 6 de abril de 2023, reescrito e revisado em .
Dor espalhada pelo corpo há meses, cansaço que não passa com o descanso, sono que não repara e exames que voltam normais. Essa combinação é a história de muitas pessoas com fibromialgia, uma condição frequente, real e que tem tratamento, embora ainda seja cercada de desconfiança.
O que é
A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica generalizada. Não há inflamação nem lesão nos músculos. O problema está no processamento da dor pelo sistema nervoso, que passa a amplificar estímulos que normalmente seriam pouco ou nada dolorosos. Esse mecanismo é chamado de sensibilização central, e a dor da fibromialgia é classificada hoje como dor nociplástica.
Estima-se que afete entre 2% e 3% da população, com predomínio em mulheres. Pode surgir sozinha ou junto de outras doenças, como artrite reumatoide e lúpus.
Sintomas
- Dor difusa, dos dois lados do corpo, acima e abaixo da cintura, que muitas pessoas descrevem como nos ossos ou nas juntas.
- Cansaço persistente e sono não reparador.
- Dificuldade de memória e concentração, a chamada névoa mental.
- Sintomas frequentes junto: intestino irritável, dor de cabeça, ansiedade e depressão.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é clínico. Os antigos pontos dolorosos foram abandonados. Pelos critérios revisados do Colégio Americano de Reumatologia (ACR), o médico combina um índice de dor generalizada, que conta em quantas de 19 regiões do corpo houve dor na última semana, com uma escala de gravidade dos sintomas, que considera cansaço, sono, cognição e outros sintomas. A dor precisa estar presente em pelo menos 4 de 5 regiões do corpo e durar 3 meses ou mais.
Os exames de sangue servem para afastar outras causas com quadro parecido, como hipotireoidismo, doenças inflamatórias e efeitos de medicamentos. Ter outra doença não exclui a fibromialgia.
Tratamento
Não há cura, mas há controle. O que tem melhor evidência é o exercício físico regular e progressivo, aeróbico e de força. É a base do tratamento de qualquer pessoa com fibromialgia. Higiene do sono, educação sobre a doença e terapia cognitivo-comportamental também ajudam, sobretudo quando há ansiedade, depressão ou catastrofização da dor.
Os remédios entram como apoio, em doses ajustadas: amitriptilina em dose baixa, duloxetina, pregabalina e ciclobenzaprina estão entre os mais usados. Anti-inflamatórios, corticoides e opioides fortes não são recomendados.
Para quem estuda para a residência
- Critérios ACR 2016: índice de dor generalizada (WPI) ≥ 7 com escala de gravidade (SSS) ≥ 5, ou WPI de 4 a 6 com SSS ≥ 9; dor generalizada em pelo menos 4 de 5 regiões; sintomas por 3 meses ou mais.
- O diagnóstico de fibromialgia é válido independentemente de outros diagnósticos.
- Tratamento não farmacológico, com exercício à frente, é a primeira linha (EULAR 2016).
- Exames laboratoriais normais; VHS e PCR elevadas sugerem outra causa.
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de um médico, que é quem pode fazer o diagnóstico e indicar o tratamento de cada pessoa.