Mateus Cavarzan

Calendário vacinal da gestante 2026: vacina do VSR a partir da 28ª semana, dTpa, covid-19, influenza e hepatite B

Por Mateus Cavarzan, médico. Publicado em . Conferido na fonte original em .

O Calendário Nacional de Vacinação 2026 da gestante, publicado pelo Ministério da Saúde, organiza as vacinas do pré-natal em três momentos: ao saber da gravidez (hepatite B, dT, influenza, covid-19 e, só em situação excepcional, febre amarela), a partir da 20ª semana (dTpa) e a partir da 28ª semana (vacina do vírus sincicial respiratório, a VVSR). A novidade é a VVSR, que entrou na rotina do SUS no fim de 2025 e protege o bebê contra bronquiolite e pneumonia nos primeiros meses de vida.

As regras de cada vacina estão na Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026: quantas doses de dT e dTpa conforme o histórico, intervalo de 60 dias entre doses, prazo de 45 dias de puerpério para o que ficou pendente, intervalo de 6 meses para a covid-19 e as exceções da febre amarela. Os flashcards cobrem esses pontos, a vacina do VSR em detalhe e o que não pode ser aplicado na gestação. O quadro resume as cinco vacinas de rotina.

As vacinas de rotina da gestante em 2026

VacinaQuandoEsquema
Hepatite BAo saber da gravidez, em qualquer idade gestacional.Iniciar ou completar 3 doses conforme o histórico, com 1 mês entre a 1ª e a 2ª e 6 meses entre a 1ª e a 3ª. Quem já tem 3 doses não é revacinada. Se não concluir na gestação, completar até 45 dias após o parto.
dT e dTpadT ao saber da gravidez, para completar 3 doses. dTpa a partir da 20ª semana.1 dose de dTpa em cada gestação, a partir da 20ª semana. As doses faltantes são completadas com dT, com 60 dias entre as doses (30 em situação excepcional); se a gestante chega com 20 semanas ou mais, a dTpa é a primeira dose. O que não for feito na gestação fica para o puerpério, até 45 dias.
Vírus sincicial respiratório (VVSR)A partir da 28ª semana.Dose única em cada gestação, sem restrição de idade materna e sem limite superior de idade gestacional, exceto trabalho de parto ativo.
Influenza trivalenteAo saber da gravidez, em qualquer idade gestacional.1 dose da vacina da temporada em cada gestação. Se não vacinada na gravidez, até 45 dias após o parto.
Covid-19Ao saber da gravidez, em qualquer idade gestacional.1 dose em cada gestação, independentemente das doses anteriores, com intervalo mínimo de 6 meses da última dose de covid-19.

24 flashcards para revisar

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O calendário

  1. 01

    Quais vacinas compõem o Calendário Nacional de Vacinação 2026 da gestante e em que momento cada uma entra?

    Ao saber da gravidez: hepatite B (3 doses), dT (3 doses), influenza trivalente (1 dose por temporada), covid-19 (1 dose a cada gestação) e febre amarela (1 dose, só em casos excepcionais). A partir da 20ª semana: dTpa, 1 dose em cada gestação. A partir da 28ª semana: vacina do vírus sincicial respiratório (VVSR), 1 dose em cada gestação.

  2. 02

    O que o Ministério da Saúde orienta sobre o cartão de vacinas na primeira consulta de pré-natal?

    Revisar o cartão logo na primeira consulta, iniciar a atualização dos esquemas em atraso e agendar as vacinas próprias da gestação. O que não puder ser feito na gravidez deve ser garantido no puerpério imediato, até 45 dias após o parto.

  3. 03

    Qual é a novidade do calendário da gestante, e desde quando cada vacina está nele?

    A vacina do vírus sincicial respiratório, oferecida no SUS a partir da segunda quinzena de novembro de 2025, depois da incorporação pela Portaria SECTICS nº 14, de 24 de fevereiro de 2025. A dTpa está no calendário da gestante desde 2014 e a covid-19 passou a integrar o calendário da gestante em 2025.

Vacina do VSR

  1. 04

    Qual é o esquema da vacina do vírus sincicial respiratório na gestante?

    Dose única de 0,5 mL, intramuscular, de preferência no deltoide, a partir da 28ª semana de gestação, em cada gestação, sem restrição de idade materna. A vacinação deve ocorrer o mais cedo possível a partir da 28ª semana, para o bebê ter a melhor proteção contra bronquiolite e outras infecções graves nos primeiros meses de vida.

  2. 05

    Que vacina é essa e qual é o mecanismo de proteção do recém-nascido?

    É a vacina VSR A e B recombinante (RSVpreF), com a proteína F de pré-fusão estabilizada dos subgrupos A e B, 60 mcg de cada, em pó liofilizado para reconstituição. Produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a Pfizer. A gestante produz anticorpos neutralizantes que atravessam a placenta e protegem o lactente nos primeiros 6 meses de vida.

  3. 06

    Por que a vacina é indicada a partir de 28 semanas, se o ensaio clínico incluiu gestantes de 24 a 36 semanas?

    A vacina não foi estudada antes de 24 semanas, e o fabricante recomenda, de preferência, 24 a 36 semanas. O SAGE da OMS, em 2024, orientou dose única no terceiro trimestre (28 semanas ou mais), como precaução para reduzir o risco de nascimentos prematuros antes do terceiro trimestre. Não há limite superior de idade gestacional, exceto trabalho de parto ativo.

  4. 07

    Qual foi a eficácia da vacina no estudo MATISSE?

    Estudo de fase 3, duplo-cego e randomizado em 18 países, com 7.358 gestantes incluídas (vacina ou placebo) entre 24 e 36 semanas de gestação. Redução de 81,8% da doença grave do trato respiratório inferior por VSR nos primeiros 90 dias de vida e de 69,4% até 180 dias.

  5. 08

    Qual é o objetivo da estratégia e a meta de cobertura?

    Prevenir as formas graves de doença do trato respiratório inferior por VSR em crianças menores de 6 meses, por meio da vacinação da gestante. Meta de vacinar pelo menos 80% das gestantes na rotina, cerca de 2,5 milhões de gestantes segundo a estimativa para 2025. A vacinação acontece durante todo o ano, em todas as UBS.

  6. 09

    Quais são a contraindicação e as principais precauções da vacina do VSR?

    Contraindicada só na hipersensibilidade às substâncias ativas ou a qualquer componente. Precauções: adiar em febre moderada a alta (resfriado sem febre não contraindica); cautela em trombocitopenia ou distúrbio de coagulação; resposta pode ser menor em imunocomprometidas. Observar pelo menos 15 minutos após a aplicação, ou 30 minutos se há história de alergia. Esavi que persistem por mais de 72 horas devem ser avaliados.

  7. 10

    A vacina do VSR pode ser aplicada no mesmo dia que a dTpa, a influenza e a covid-19?

    Sim. Pode ser administrada simultaneamente com as demais vacinas do calendário, em sítios diferentes e sem intervalo. A aplicação concomitante com a dTpa é recomendada para não perder a oportunidade de vacinação, por decisão discutida na Câmara Técnica Assessora em Imunizações.

  8. 11

    Que sinal de segurança é monitorado na vacina do VSR em gestantes?

    Parto prematuro. Nos ensaios clínicos houve mais partos prematuros no grupo vacinado, sem diferença estatisticamente significativa em relação ao placebo, mas análises de desproporcionalidade apontaram o parto prematuro como sinal de segurança. Por isso o Ministério pede vigilância ativa das gestantes vacinadas, com monitoramento de prematuridade, baixo peso, óbito fetal, anomalias congênitas, Guillain-Barré e anafilaxia, entre outros.

  9. 12

    Como conservar a vacina do VSR?

    Entre +2 °C e +8 °C, sem congelar, por até 36 meses da fabricação. Depois de reconstituída, fica em temperatura ambiente (15 °C a 30 °C) e deve ser aplicada de imediato, em até 4 horas.

dTpa e dT

  1. 13

    Por que a gestante recebe a dTpa, e qual é o esquema para quem já tem 3 doses de vacina com toxoides diftérico e tetânico?

    Para prevenir a coqueluche no recém-nascido, pela transferência de anticorpos maternos; a dTpa está no calendário da gestante desde 2014. Com esquema básico completo (3 doses ou mais), administrar 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana, em cada gravidez. Se não for possível na gestação, aplicar no puerpério, até 45 dias.

  2. 14

    Gestante sem nenhuma dose de vacina contra difteria e tétano. Como fica o esquema?

    Três doses, com intervalo de 60 dias (mínimo de 30 dias em situação excepcional): 2 doses de dT e 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana. Se ela chegar ao serviço já com 20 semanas ou mais, a dTpa é a primeira dose e o esquema se completa com a dT ainda na gestação; o que não der, até 45 dias de puerpério.

  3. 15

    E a gestante com 1 ou com 2 doses prévias de vacina contendo toxoides diftérico e tetânico?

    Com 1 dose: 1 dose de dT e 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana, 60 dias entre elas (mínimo de 30). Com 2 doses: só 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana, respeitando 60 dias da última dose (mínimo de 30), sem atrasar essa dose.

  4. 16

    Quando usar o intervalo mínimo de 30 dias em vez do recomendado de 60 dias?

    Só em situação excepcional, com necessidade justificada de acelerar a proteção, como risco de exposição iminente, viagem a área de risco ou algumas comorbidades. O intervalo de 60 dias dá melhor resposta imunológica, maior persistência de anticorpos e maior duração da proteção.

Hepatite B, influenza e covid-19

  1. 17

    Como fica a hepatite B na gestante sem esquema completo?

    Avaliar logo no início do pré-natal, aplicar a 1ª dose com a vacina monovalente e agendar as demais conforme o histórico (0, 1 e 6 meses), de modo a concluir ainda na gestação. Se não der, concluir até 45 dias de puerpério. Nunca reiniciar o esquema. Quem já tem 3 doses não é revacinada, mesmo com anti-HBs abaixo de 10 mUI/mL.

  2. 18

    Gestante suscetível exposta ao vírus da hepatite B e recém-nascido de mãe HBsAg positiva: qual é a conduta?

    Gestante exposta em qualquer trimestre, por relação sexual ou acidente com material biológico: vacina mais imunoglobulina anti-hepatite B. Recém-nascido de mãe HBsAg positiva: vacina hepatite B e imunoglobulina ao nascer, em sítios diferentes, de preferência nas primeiras 12 horas; a imunoglobulina pode ser aplicada no máximo até 7 dias de vida.

  3. 19

    Qual é o esquema da vacina influenza na gestante?

    1 dose da vacina trivalente da temporada em cada gestação, em qualquer idade gestacional, 0,5 mL por via intramuscular ou subcutânea. Se não vacinada na gestação, aplicar no pós-parto até 45 dias. Gestantes e puérperas são grupo de risco para influenza grave e prioritárias na vacinação.

  4. 20

    Qual é o esquema da vacina covid-19 na gestante?

    1 dose em cada gestação, em qualquer idade gestacional, independentemente do número de doses anteriores, desde que tenham passado pelo menos 6 meses da última dose de covid-19. A puérpera não vacinada na gestação continua entre os grupos da estratégia de vacinação.

Febre amarela e vacinas vivas

  1. 21

    Quando a vacina da febre amarela é considerada na gestação?

    Só na impossibilidade de adiamento, para gestante que vive ou vai viajar para área com circulação viral confirmada (casos humanos, epizootia ou vetores infectados, em surto, alto risco ou emergência), depois de avaliação do serviço de saúde sobre risco e benefício. Nesse caso, 1 dose para quem não tem comprovação vacinal, para quem recebeu apenas 1 dose antes dos 5 anos e para quem recebeu só a dose fracionada de 2018. Viajante: pelo menos 10 dias antes da viagem.

  2. 22

    Tríplice viral e varicela na gestante: o que diz a Instrução Normativa?

    As duas são contraindicadas na gestação, por precaução com vacinas de vírus vivo atenuado; a tríplice viral não é aplicada nem em surto de sarampo, caxumba ou rubéola. Na vacinação inadvertida não se indica a interrupção da gravidez; a gestante é acompanhada no pré-natal. Por isso o Ministério recomenda atualizar a situação vacinal antes da gravidez, no período pré-concepcional.

  3. 23

    A vacina da dengue pode ser aplicada na gestante?

    Não. A vacina dengue atenuada é contraindicada em gestantes e lactantes. Mulheres com potencial para engravidar devem evitar a gravidez por pelo menos 30 dias após a vacinação. Na vacinação inadvertida de mulher que amamenta criança de até 6 meses, o aleitamento é suspenso por 15 dias, com acompanhamento do banco de leite.

Registro

  1. 24

    Como o Ministério calcula a cobertura vacinal das gestantes?

    Doses aplicadas em gestantes registradas na RNDS, divididas pelos nascidos vivos do Sinasc no mesmo período. Códigos das vacinas: VVSR 108, dTpa 57 e covid-19 112. A influenza da gestante segue no painel da estratégia de influenza. O painel é atualizado no dia 1º de cada mês, com dados até dois meses antes.

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Fonte

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Calendário Nacional de Vacinação 2026: vacinas da gestante. Brasília: Ministério da Saúde, 2026 (arquivo PDF de 28 de outubro de 2026). Documentos complementares lidos na íntegra: Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação, ano 2026, 4ª edição, CGICI/DPNI/SVSA/MS, 8 de outubro de 2026; Calendário Nacional de Vacinação 2026, ciclo de vida, gestante (calendário técnico, 4 de fevereiro de 2026); Estratégia de vacinação contra o vírus sincicial respiratório em gestantes, 1ª edição, Brasília, 2026, 39 p., ISBN 978-65-5993-992-3; Nota Técnica nº 119/2025-CGICI/DPNI/SVSA/MS. PDF do calendário da gestante no gov.br

Material de estudo para provas de residência médica. Não substitui a leitura da diretriz nem define conduta para um paciente específico.

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