Você não é sua nota do ENAMED
(ou o número que você acha que tirou)
A segunda desta semana começou diferente. E não foi pela chuva que não para de cair sobre Sampa City.
Segunda já é o dia em que os alunos da mentoria me mandam o feedback semanal. Mas eu nunca recebi tantas mensagens, e tão cedo. Antes das sete da manhã o celular já estava vibrando sem parar.
A maioria, talvez todas se eu olhar com uma lupa, tinha alguma espécie de lamentação. "Estou destruído." "Arrasado." "Não acho que vai dar." E por aí vai.
Tudo isso antes do gabarito oficial, que sai hoje (talvez já tenha saído quando você estiver lendo isso). E convenhamos: mesmo com o gabarito na mão, muita incerteza continua no ar por causa do TRI, das anulações e de todo o diabo a quatro que só quem samba a música da preparação para residência sabe.
Ou seja: um monte de gente sofrendo por um número que ainda não existe.
O que me pegou não foi a tristeza. Tristeza depois de uma prova dessas é normal, eu também já saí de sala achando que tinha acabado o mundo. O que me pegou foi que poucos alunos conseguiram desenvolver a mentalidade que eu passei meses tentando plantar.
Com uma exceção. Essa aluna aqui:

Repara na sequência dela. Ficou com medo, comparou a prova com os colegas, viu que tinha errado tudo o que comentaram, e mesmo assim voltou. "Independente do resultado, o importante é usar essa prova como norte, rastrear minhas deficiências e melhorar para outras provas." E fechou com "agora tô em paz".
Isso é sair do lugar-comum.
Nome que, inclusive, dei ao meu filho: meu livro, que sai em breve. A única forma de você sair da média é pensar diferente da média. Se isso aqui fosse um esporte, o atleta até poderia ficar chateado com o desempenho dele no jogo de domingo. Mas o que ele faz na segunda? Senta com o técnico, revê a gravação, descobre qual aspecto falhou e monta um treino diferente para atacar exatamente aquele ponto. Ele não passa a semana chorando o placar.
Deixa o Cavarzan te falar uma coisa: vocês querem solução mágica com cheiro de Harry Potter. Todo mundo quer. Só muda de endereço e telefone. Mas, no fim das contas, poucos querem olhar para o esforço necessário. Sim, sim, sei que é bonito isso, mas é a mais pura verdade.
Então, independente da sua nota, eu quero te convidar a olhar o resultado (repare que não falei nota) do ENAMED depois do gabarito oficial e usá-lo pelo que ele é: um mapa das suas deficiências. Questão por questão. Onde você errou por não saber, onde errou por não ler direito, onde chutou e acertou. Esse mapa vale mais do que qualquer número.
O ENAMED foi um jogo.
O campeonato ainda tem várias rodadas. Parta para cima delas.
Ou você pode ficar lamentando.
Sua escolha.
Com o mesmo carinho (e sinceridade) de sempre,
Cavarzan