Mateus Cavarzan
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Resenha

O Jeito Harvard de Ser Feliz: a felicidade vem antes da aprovação

Resenha do livro de Shawn Achor

Mateus Cavarzan4 min de leitura
Capa do livro O Jeito Harvard de Ser Feliz, de Shawn Achor

"Quando eu passar, eu vou ser feliz."

Você já disse essa frase. Eu já disse essa frase. Ela parece tão óbvia que ninguém para para conferir se é verdade.

Não é.

O Shawn Achor passou mais de uma década em Harvard, deu aula no curso mais concorrido da universidade e estudou 1.600 alunos de lá para chegar a uma conclusão que virou a minha cabeça do avesso: a gente aprendeu a fórmula ao contrário.

O Jeito Harvard de Ser Feliz mudou a minha vida. Não é força de expressão. Muito do que eu escrevo nas newsletters, e do jeito como eu oriento os meus alunos, saiu daqui.

A fórmula está invertida

A fórmula que todo mundo segue é: eu me esforço, eu tenho sucesso, aí eu fico feliz. Passou, venceu. Só então a vida começa.

O problema é que, cada vez que você chega lá, a linha de chegada anda. Passou na prova, agora é a prova de título. Depois o consultório. Depois a agenda cheia. Se a felicidade mora depois do sucesso, o cérebro nunca chega nela.

O que o livro mostra, com pesquisa atrás de pesquisa, é o caminho contrário: um cérebro em estado positivo trabalha melhor. Aprende mais rápido, resolve mais problemas, aguenta mais pressão. A felicidade não é o prêmio do desempenho. É o combustível dele.

Médico feliz diagnostica mais rápido

Esse é o trecho que eu mais gosto de contar para médico, porque é sobre a gente.

Pesquisadores colocaram médicos para resolver um caso clínico. Um grupo foi colocado antes em um estado de humor positivo, com um gesto simples, um agrado bobo. O outro, não.

Os médicos do grupo positivo chegaram ao diagnóstico correto 19% mais rápido e mostraram muito mais flexibilidade de raciocínio. Ancoraram menos na primeira hipótese.

Agora pensa em você, na hora da prova, travado em uma questão. O seu estado emocional não é um detalhe. Ele faz parte da sua técnica.

O efeito Tetris

Quem joga Tetris por horas começa a enxergar pecinhas em tudo: nos prédios, nas prateleiras do mercado. O cérebro aprende a procurar aquilo que ele treinou para procurar.

Estudar para a residência é passar o ano inteiro treinando para achar erro. A questão que você errou. O tema que ainda não viu. A nota que não subiu. Chega uma hora em que você só enxerga o que falta, inclusive em você.

A saída que o livro propõe é quase ridícula de tão simples: todo dia, escrever três coisas boas que aconteceram. Em algumas semanas, o cérebro começa a procurar por elas sozinho. Eu sei que parece conversa de caderno com capa de unicórnio. Funciona mesmo assim.

O círculo do Zorro

Antes de virar o Zorro, o herói era um desastre. O mestre dele desenhou um círculo pequeno no chão e só deixou que ele lutasse ali dentro. Quando dominou aquele círculo, o mestre aumentou. Depois aumentou de novo.

Quando o estresse sobe, a sensação de controle some. E a tentativa de resolver tudo de uma vez só piora. O caminho de volta é escolher um círculo pequeno, que você consegue dominar hoje, e crescer a partir dele.

Para o aluno que me escreve dizendo que perdeu o ano, é esse o primeiro conselho: não é o edital inteiro. É o bloco de questões de hoje.

A regra dos 20 segundos

O autor queria tocar violão todo dia. O violão ficava no armário, a vinte segundos de distância. Ele não tocou. Quando colocou o violão em um suporte no meio da sala, passou a tocar.

Vinte segundos de atrito bastam para derrubar um hábito bom. E bastam para derrubar um ruim também: ele tirou as pilhas do controle remoto e passou a ver menos televisão.

Se você leu a minha resenha de Hábitos Atômicos, vai reconhecer a ideia. Deixa o material aberto na mesa na noite anterior. Deixa o celular em outro cômodo. O ambiente decide por você muito antes da sua força de vontade aparecer.

O erro de quem se tranca para estudar

Quando a pressão aumenta, a primeira coisa que a gente corta são as pessoas. O almoço com os amigos, a ligação para casa, o treino com o colega.

O livro mostra que esse é exatamente o investimento que mais protege o desempenho nos períodos difíceis. É por isso que eu repito que os meus alunos com os melhores resultados ainda descansam e ainda têm vida. Não é apesar de terem vida que eles passam.

Antes da próxima prova

Você vai continuar estudando neste ano, com este livro ou sem ele. A pergunta é em que estado o seu cérebro vai fazer isso.

Tem candidato disputando a mesma vaga que você que já entendeu que humor é ferramenta de estudo, e que está treinando o próprio cérebro enquanto você espera a aprovação para começar a viver.

Não espera. A ordem é a outra.

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Cavarzan

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