Casamento e caminhos tortuosos da vida
Fala, futuro residente.
Neste fim de semana eu fui ao casamento de uma colega de panela do internato. Dez anos. Faz dez anos que a gente dividia plantão, medo e marmita requentada.
E reencontrar todo mundo é aquele filme: quem foi pra onde, quem virou o quê, quem trocou de especialidade no meio do caminho, quem casou, quem descasou.
Sabe o que me chamou mais atenção? Nenhuma história foi em linha reta. Nenhuma.
Um colega passou por um divórcio. Na época, o mundo caiu. Mas foi por causa dessa queda que ele criou coragem de fazer o que jamais faria: saiu de São Paulo e abriu um consultório no interior. Hoje está mais feliz do que nunca esteve na capital. E ele mesmo reconhece: sem o divórcio, nunca teria tido coragem.
O revés virou a fortaleza.
Sim, sim, sei que é bonito isso, mas é a mais pura verdade: quase toda história naquela festa tinha um capítulo que na hora parecia derrota, e que dez anos depois era contado rindo, como a virada da história.
E por que o tio está te contando isso?
Porque eu sei como você olha para a prova de residência: como se fosse O destino. O ponto final. Passou, venceu. Não passou, acabou.
Bicho, não é.
Tem um livro chamado O Jogo Infinito, do Simon Sinek, que separa dois tipos de jogo. O jogo finito tem regras fixas, placar e apito final. É uma partida de futebol. O jogo infinito não tem linha de chegada: o objetivo é continuar jogando. É a vida, a carreira, a medicina.
A prova de residência é um jogo finito dentro de um jogo infinito. Ela tem data, gabarito e resultado. A sua carreira, não.
Naquele salão de festas, ninguém perguntou a nota de ninguém na prova de dez anos atrás. Mas todo mundo tinha uma história de caminho torto que terminou bem.
Então estude com seriedade. A prova merece o seu melhor. Mas estude sabendo o que ela é: uma etapa, não um destino. Uma partida, não o campeonato.
O campeonato é você.
Continue saindo do lugar-comum, Mateus







FOTO DA ÉPOCA DO INTERNATO:
